É possível investir em dólar no Brasil por meio de ativos que seguem a variação da moeda, sem precisar comprar dólar físico
Se você já pensou em proteger seu patrimônio e diversificar sua carteira de investimentos, certamente já passou pela sua cabeça a ideia de entender como investir em dólar no Brasil. Essa é uma estratégia que atrai cada vez mais brasileiros, principalmente em um cenário de incerteza econômica.
Para se ter uma ideia, segundo a pesquisa de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE), divulgada pelo Banco Central, os recursos de brasileiros fora do país chegaram a US$ 654,5 bilhões. Esse número mostra que a busca por segurança e estabilidade na moeda americana está em alta.
Assim, você terá uma visão completa para dar seus primeiros passos com confiança e clareza.
Por que investir em dólar?
Muitos investidores recorrem à moeda americana para equilibrar a carteira e reduzir a dependência exclusiva do real. Afinal, o real sofre com a inflação e a instabilidade econômica. Em contraste, o dólar é visto como moeda de referência e pode funcionar como um escudo em momentos de crise.
Por isso, vale conferir abaixo como investir em dólar no Brasil traz tanto benefícios quanto riscos, que precisam ser avaliados com atenção.
Benefícios de investir em dólar
Investir em dólar oferece vantagens que fortalecem a carteira e ajudam a enfrentar cenários de incerteza. Entre os principais pontos, destacam-se a proteção cambial, a possibilidade de diversificação e o alcance de metas em moeda forte.
Proteção cambial
Um dos principais motivos para investir em dólar é a proteção cambial. Imagine que você guarde R$ 50 mil em reais e que, em um ano, o real perca valor frente ao dólar.
Seu dinheiro comprará menos produtos importados ou viagens para o exterior. Agora, se parte desse valor estivesse em dólar, a alta da moeda americana compensaria a perda.
Diversificação
Outro benefício é a diversificação. Colocar todos os recursos em um único ativo aumenta os riscos. Ao incluir dólar na carteira, você equilibra os resultados e reduz a dependência da economia local.
Metas em moeda forte
Além disso, o dólar facilita o alcance de metas em moeda forte. Quem planeja estudar fora, fazer turismo internacional ou até comprar um imóvel no exterior pode acumular em dólar desde já. Assim, evita surpresas desagradáveis com a variação do câmbio no futuro.
Riscos de investir em dólar
Apesar das vantagens, investir em dólar também exige atenção. A moeda apresenta riscos que podem comprometer os ganhos se não forem bem avaliados. Entre os perigos estão a volatilidade, os custos de câmbio e a tributação.
Volatilidade
Por outro lado, investir em dólar também traz riscos. O primeiro é a volatilidade. A moeda pode subir em um mês e cair no outro, o que afeta os ganhos de curto prazo.
Custos de câmbio
Outro ponto está nos custos de câmbio. Cada vez que você compra ou vende dólares, paga tarifas e taxas, como o spread bancário. Por exemplo: se a cotação do dólar está em R$ 5,00, o banco pode vender a R$ 5,10. Essa diferença reduz a rentabilidade.
Tributação
Por fim, existe a tributação. Ganhos com aplicações em dólar precisam ser declarados no Imposto de Renda. Quem lucra e não informa corre risco de multa. Portanto, antes de investir, é essencial entender como funciona a parte fiscal.
Custos de câmbio: IOF, spread e tarifas
Antes de investir em dólar, é fundamental conhecer os custos que impactam o retorno. Entre os principais estão o IOF, o spread bancário e as tarifas cobradas por instituições financeiras. Valores aparentemente pequenos no início podem reduzir de forma significativa o resultado.
Como funciona o IOF para investir em dólar?
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incide em diferentes situações, como compras internacionais, remessas e recebimentos. Em 2025, houve uma mudança importante: a alíquota foi unificada em 3,5% para operações de compras no exterior e remessas pessoais. Antes, variava de 0,38% a 4,38%.
Exemplo prático: em uma compra de R$ 2.000 com cartão de crédito internacional, aplica-se o IOF de 3,5%. O cálculo é feito assim: R$ 2.000 × 3,5% = R$ 70
O valor final da operação passa a ser R$ 2.070, já com o imposto incluído. As remessas destinadas a gastos pessoais, como transferências para contas de terceiros, também pagam IOF de 3,5%.
Remessas para investimento
As remessas destinadas a investimentos têm alíquota de 1,1% em 2025, com isenção mantida para aplicações em fundos no exterior. Esse percentual torna a operação mais acessível para quem deseja diversificar a carteira fora do país.
Remessas recebidas do exterior
No caso dos recebimentos, o imposto é menor. Quando você recebe recursos do exterior, a alíquota de IOF aplicada é de 0,38% sobre o valor da operação.
Ao conhecer esses custos, você consegue planejar melhor cada movimentação e evitar surpresas. Essa etapa é essencial para quem deseja entender, na prática, como investir em dólar no Brasil com mais clareza e eficiência.
Spread cambial
O spread cambial é uma das principais taxas cobradas na conversão entre reais e moedas estrangeiras. Esse valor varia conforme a instituição financeira responsável pela operação.
Na prática, o spread corresponde à diferença entre o preço pago pela instituição para comprar a moeda estrangeira e o valor cobrado do cliente na venda dessa mesma moeda.
O cálculo é simples: preço de venda da moeda menos o preço de compra.
Por exemplo: uma corretora compra o dólar a R$ 5,20 e vende a R$ 5,45. A diferença de R$ 0,25 representa um spread de aproximadamente 4,81%.
Esse custo aparece sempre que ocorre conversão de reais em moeda estrangeira. Vale destacar que o spread cambial não se confunde com o IOF, imposto federal. O spread é apenas uma taxa administrativa que varia de acordo com a instituição.
Taxas administrativas
As taxas administrativas representam valores cobrados por bancos e casas de câmbio pelos serviços prestados em cada operação. Esses custos variam conforme a instituição e podem ser aplicados como um valor fixo por transação ou como percentual sobre o montante negociado.
Exemplo 1:uma casa de câmbio pode cobrar R$ 30 fixos por cada remessa internacional, independentemente do valor enviado.
Exemplo 2:um banco pode aplicar 1% sobre o valor total da operação. Em uma transferência de R$ 5.000, a taxa administrativa será de R$ 50.
Esses custos, somados ao IOF e ao spread cambial, aumentam o valor final de qualquer movimentação em dólar. Por isso, comparar as tarifas entre diferentes instituições ajuda a reduzir despesas e otimizar o resultado.
Como investir em dólar morando no Brasil de forma legal e segura?
Investir em dólar dentro do Brasil não exige abrir conta no exterior ou operar de forma irregular. Existem opções reguladas que permitem a exposição à moeda americana de maneira prática. A seguir, veja quais são as opções para ter exposição ao dólar (PF e PJ).
Conta internacional em USD/EUR
Uma conta internacional permite receber, guardar e movimentar valores em dólares ou euros. Esse tipo de conta facilita o planejamento financeiro de quem faz compras no exterior, paga cursos fora do país ou recebe valores por trabalhos internacionais.
Por exemplo:ao receber US$ 1.000 por um serviço, o valor pode ser mantido em dólar até o momento mais vantajoso para converter em reais, o que evita perdas em picos de alta do câmbio.
Fundos cambiais
Um fundo cambial é um tipo de investimento coletivo que reúne recursos de vários investidores para aplicar em ativos atrelados ao dólar, como contratos de câmbio ou títulos públicos. Esse mecanismo permite a exposição à moeda americana sem necessidade de comprar dólares diretamente.
Os fundos cambiais existem em duas modalidades: com hedge e sem hedge.
- Com hedge: buscam neutralizar a oscilação do câmbio, indicados para quem deseja proteção sem grandes variações.
- Sem hedge: acompanham diretamente a valorização ou queda do dólar, mais indicados para quem aceita maior risco em troca de possíveis ganhos.
ETFs atrelados ao dólar/S&P 500
Na B3 existem ETFs (fundos de índice) que seguem o desempenho do dólar ou do S&P 500, principal índice do mercado de ações dos Estados Unidos.
Exemplo: o IVVB11, listado na bolsa brasileira, reflete a variação do S&P 500 em reais. Com esse ativo, o investidor tem acesso a companhias como Apple, Microsoft e Amazon, e participa do mercado internacional sem a necessidade de abrir conta no exterior.
BDRs de ETFs/ações
Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) oferecem exposição a ETFs e ações estrangeiras, mas são negociados em reais.
Por exemplo: comprar um BDR da Tesla permite acompanhar o desempenho da empresa nos EUA, sem necessidade de enviar recursos para fora. Essa alternativa amplia a diversificação e facilita o acesso a ativos internacionais.
Renda fixa cambial
A renda fixa cambial consiste em títulos emitidos no Brasil, mas atrelados ao dólar. O rendimento varia conforme a variação da moeda.
Exemplo: um título que paga 2% ao ano mais a variação do dólar. Se o dólar valorizar 10% em um período, o retorno final será de 12% em reais. Essa opção combina previsibilidade de renda fixa com a proteção cambial.
Essas alternativas mostram que existem diferentes caminhos para explorar como investir em dólar no Brasil de forma acessível e alinhada aos objetivos de cada investidor.
Para facilitar a comparação entre essas opções, preparamos um comparativo que resume as principais características de cada alternativa.
Conta internacional
- Exposição ao dólar: direta (em USD)
- Liquidez: alta
- Risco/volatilidade: baixo (variação cambial)
- Ideal para: metas em moeda forte e objetivos de curto prazo
Fundos cambiais
- Exposição ao dólar: alta
- Liquidez: média
- Risco/volatilidade: média
- Ideal para: quem quer começar de forma simples, com gestão profissional
ETFs dolarizados na B3
- Exposição ao dólar: alta
- Liquidez: alta
- Risco/volatilidade: alta
- Ideal para: investidores que aceitam volatilidade e focam no longo prazo
BDRs (ETFs/Ações)
- Exposição ao dólar: indireta (em reais)
- Liquidez: alta
- Risco/volatilidade: alta
- Ideal para: diversificação internacional diretamente pela B3
Renda fixa cambial
- Exposição ao dólar: alta (atrelada ao USD)
- Liquidez: média
- Risco/volatilidade: baixo a médio
- Ideal para: perfil conservador que busca proteção cambial
É melhor manter o dólar na conta internacional ou investir em ativos dolarizados?
Se você se pergunta se é melhor manter o dólar na conta internacional ou investir em ativos dolarizados, a resposta varia conforme o objetivo e o prazo. No curto prazo, a prioridade deve ser a liquidez. Quem planeja uma viagem em poucos meses deve manter dólares em conta internacional.
Por exemplo, ao reservar US$ 2.500 para gastar em férias no exterior, a conta internacional evita custos extras de conversão e garante acesso imediato ao valor.
No médio e longo prazo, ativos dolarizados apresentam mais vantagens. Fundos cambiais, ETFs e BDRs oferecem diversificação e possibilidade de retorno superior à simples manutenção de dólares parados. O rebalanceamento periódico ajuda a ajustar a carteira conforme as metas financeiras.
O perfil do investidor também influencia a decisão:
- Conservador: pode concentrar maior parte na conta internacional e em fundos cambiais.
- Moderado: pode dividir entre conta internacional, ETFs e BDRs.
- Arrojado: pode priorizar ETFs e BDRs de ações globais, já que aceita mais risco para buscar maior retorno.
Assim, a decisão sobre manter dólares em conta ou optar por ativos dolarizados deve considerar objetivo, prazo e perfil de risco, para equilibrar proteção e crescimento.
Qual o passo a passo para começar a investir em dólar pelo celular?
Investir em dólar já pode ser feito de forma simples pelo celular. O processo envolve algumas etapas essenciais que garantem organização, segurança e conformidade com as regras fiscais.
1. Abrir conta internacional
O primeiro passo é abrir uma conta internacional. Hoje, opções como a Global Account Inter permitem abrir uma conta em dólar sem taxa de abertura ou manutenção.
Com a conta internacional do Inter, é possível receber valores, guardar dólares e até investir diretamente na moeda. Além disso, a conta pode ser usada em qualquer lugar, com praticidade e segurança.
Antes de enviar recursos, vale conferir os limites de transação e o valor do IOF aplicável.
2. Planejar aporte mensal
Depois da conta aberta, entra o planejamento. Definir um aporte mensal em dólar ajuda a construir disciplina. Muitos investidores utilizam a estratégia de DCA cambial (Dollar Cost Averaging), que consiste em comprar dólares de forma periódica para diluir o risco de variações no câmbio.
Exemplo: em vez de converter R$ 6.000 de uma vez, a pessoa pode enviar R$ 1.000 por mês durante seis meses, para evitar concentrar a compra em uma cotação desfavorável.
3. Escolher carteira dolarizada
Com os recursos disponíveis, é hora de escolher a exposição ao dólar, como fundos cambiais, ETFs ou BDRs.
4. Documentação para IR, câmbio e compliance
O último passo envolve manter a documentação em dia. Operações em dólar precisam ser declaradas no Imposto de Renda, seja para informar ganhos ou apenas a existência de ativos.
Além disso, as instituições financeiras seguem normas de compliance, que são regras internas e exigências legais criadas para evitar lavagem de dinheiro, fraudes e uso irregular dos recursos. Esse conjunto de medidas garante transparência, rastreabilidade das operações e mais segurança para quem investe em dólar.
Seguindo essas etapas, qualquer pessoa pode dar os primeiros passos e descobrir, na prática, como investir em dólar no Brasil de forma organizada e acessível.
Como declarar investimentos em dólar no Imposto de Renda?
Declarar investimentos em dólar no Imposto de Renda é uma etapa obrigatória para manter a regularidade fiscal. O processo pode variar conforme o tipo de operação realizada, mas segue algumas regras gerais.
Conta internacional
Os valores mantidos em conta internacional devem ser informados na ficha “Bens e Direitos”, com o código “06 - Depósito à Vista e Numerário” ou o código “99 - Outros depósitos à vista”.
Exemplo: quem mantém US$ 5.000 em uma conta internacional deve converter o valor em reais pela cotação oficial do Banco Central em 31 de dezembro do ano anterior e registrar esse valor na declaração.
Fundos cambiais, ETFs e BDRs
Aplicações como fundos, ETFs e BDRs são informadas também na ficha “Bens e Direitos”, com os códigos correspondentes a cada tipo de ativo. O investidor deve declarar o valor de aquisição em reais, sem atualização pela cotação atual.
Para BDRs, na ficha “Bens e Direitos” selecione:
- Grupo 4: “Aplicações e Investimentos”
- Código 4: “Ativos negociados em bolsa no Brasil”
- Opção: “105 – Brasil”
Já para ETFs, selecione:
- Grupo 07: “Fundos”
- Código 09: “Demais Fundos de Índice de Mercado (ETFs)”
Rendimentos
Dividendos recebidos de empresas estrangeiras ou ETFs internacionais também precisam ser declarados. Esses valores entram na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior” e podem estar sujeitos a carnê-leão mensal.
Manter todos os comprovantes de câmbio, extratos das corretoras e comprovação documental para remessas e recebimentos garante o preenchimento correto da declaração e reduz riscos de inconsistência com a Receita Federal.
Além disso, recursos do Open Finance podem facilitar o acesso a dados consolidados das operações financeiras. Dessa forma, o investidor cumpre suas obrigações e aproveita os benefícios de diversificar em moeda forte com segurança.
Como investir em dólar no Brasil de forma acessível?
Hoje, existem alternativas acessíveis que mostram como investir em dólar no Brasil de maneira legal e simples. O essencial é alinhar prazo, objetivo e perfil de risco antes de escolher a estratégia.
Para apoiar esse caminho, o Inter oferece soluções completas em um só aplicativo. É possível começar pelo CDB a partir de R$ 1,00 e também investir em Tesouro Direto, Fundos, Criptomoedas e Ações no Brasil e em mercados globais. Uma forma prática e segura de dar o primeiro passo.


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