Salário em dólar: vale a pena converter para o real?
Com a popularização de modelos de trabalho remoto e o fim das barreiras geográficas para a prestação de serviços, receber um salário em dólar deixou de ser exclusividade e se tornou uma oportunidade para muitos.
Prova disso é este Relatório de Economia Bancária, do Banco do Brasil, que mostra que, entre 2018 e 2023, as transferências do exterior para o Brasil passaram de US$2.565 milhões para US$3.997 milhões. Deste total, mais de US$2 bilhões correspondem a recursos dos Estados Unidos — o equivalente a 51,2% das entradas.
O expressivo número engloba os repasses entre familiares (sobretudo no contexto da pandemia, entre 2020 e 2022) e, naturalmente, reflete o crescimento do pagamento de salários e prestações de serviços pelos EUA a trabalhadores no Brasil.
Se você faz parte do grupo que recebe salário em dólar e não sabe quando faz sentido converter o valor para o real, está no lugar certo. Falaremos em detalhes sobre o tema ao longo deste artigo.
Boa leitura!
Salário em dólar: quais as vantagens de converter para o real?
Os principais benefícios de converter o seu salário em dólar para o real são a manutenção do poder de compra no Brasil, a liquidez para as despesas do dia a dia, a possibilidade de fazer um planejamento familiar e a chance de escapar de taxas de manutenção dos dólares na conta.
Entenda em detalhes.
1. Manutenção do poder de compra no Brasil
O dólar é uma moeda com alta estabilidade global — diferente do real, que enfrenta oscilações constantes e momentos de desvalorização decorrentes de acontecimentos econômicos e políticos.
Dessa forma, na prática, quando o real se desvaloriza frente ao dólar, quem recebe salário na moeda estrangeira tem seu poder de compra no Brasil protegido.
Imagine, por exemplo, que você receba US$2.000. Se o dólar sobe de R$5 para R$5,50, seu salário em reais também sobe de R$10.000 para R$11.000. Interessante, não é mesmo?
2. Liquidez para despesas diárias
Se você vive no Brasil, precisa de reais para pagar suas despesas diárias, como compras no supermercado, gastos com transporte e demais contas, como água, luz e internet.
Manter o dinheiro em dólar significa depender de operações internacionais para quitar despesas simples da rotina, o que leva ao pagamento de taxas elevadas.
3. Planejamento familiar
Ter um valor mensal em reais possibilita um planejamento familiar mais certeiro e previsível.
Desta forma, você dimensiona o valor disponível em relação às despesas mapeadas, e não se submete a taxas de câmbio que podem variar conforme as datas de pagamento de cada conta.
4. Evitar taxas e custos
As taxas e custos associados às transações internacionais são um importante fator a considerar na hora de definir se vale a pena ou não converter seu salário em dólar para reais.
Aqui vai uma lista rápida para te ajudar a entender quais impostos e taxas são cobrados na conversão:
- O principal imposto é o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Em geral, para pessoas físicas, recebimento de salário ou transferências internacionais, a taxa equivale a 0,38% do valor transacionado. Já para pagamento ou saque no cartão de crédito internacional, a taxa pode chegar a 3,5%.
- Spread cambial: diferença entre a cotação oficial do dólar e a que a instituição financeira aplica para a conversão.
- Algumas plataformas cobram taxas de transferência e/ou manutenção, aplicadas por operação e por tempo em que o valor em moeda estrangeira permanece na conta.
Agora você já sabe os benefícios da mudança de moeda. E os casos em que o processo não vale a pena? Conheça a seguir as vantagens de não fazer a conversão para o real e manter seu salário em dólar.
Vantagens de não fazer a conversão para o real: quando manter seu salário em dólar?
As principais vantagens de não fazer a conversão para o real são a possibilidade de se proteger da desvalorização cambial, os potenciais ganhos em função da valorização da moeda e a chance de fazer investimentos internacionais sem a incidência de taxas como IOF e spread cambial.
Saiba mais!
1. Proteção da desvalorização cambial
Como pontuamos anteriormente, o real é uma moeda volátil em relação à solidez do dólar. Desta forma, se a moeda brasileira está enfraquecida frente à americana, manter o salário em dólar protege seu poder de compra.
2. Ganhos em valorização do dólar
Outra vantagem é a possibilidade de “ganhar” mais reais na conversão em um momento de valorização do dólar. Aqui, vale o exemplo que demos anteriormente, sobre um salário de US$2.000 convertido em reais em momentos de cotação a R$5 ou R$5,50.
3. Investimentos internacionais
Um salário em dólar possibilita o acesso a ativos estrangeiros, tais como ETFs (Exchange Traded Funds, sobre os quais falaremos a seguir), ações nos EUA, fundos cambiais e criptomoedas, sem a incidência de taxas como IOF e spread cambial.
Quando converter seu salário em dólar para o real? Resumo
O ideal é converter seu salário em dólar para o real quando precisar de liquidez para pagar despesas da rotina, estruturar um planejamento financeiro, quitar dívidas ou investimentos locais e aproveitar oportunidades de compra específicas. Para obter as melhores taxas cambiais, observe a cotação atual do dólar e a movimentação econômico-financeira do mercado nas datas próximas às da conversão.
Vale a pena investir em dólar?
Sim, vale a pena investir em dólar, sobretudo quando se ganha um salário na moeda. Dessa forma, você aproveita benefícios relacionados à valorização do ativo, além da possibilidade de diversificar a carteira e obter liquidez internacional.
Como investir em dólar?
Para investir em dólar você deve, antes de mais nada, conhecer seu perfil de investidor. O diagnóstico ajuda a identificar os melhores produtos de acordo com a sua tolerância ao risco. O próximo passo é acessar a página da sua instituição financeira e escolher, entre as opções disponíveis, aquela que melhor atende às suas necessidades.
Os principais tipos de investimento em dólar disponíveis no mercado são:
- BDRs (Brazilian Depositary Receipts): certificados de investimento lastreados em ações de empresas estrangeiras.
- Ações (Stocks): pertencem a empresas de capital aberto dos Estados Unidos, como Microsoft, Apple, Amazon ou Meta.
- ETFs (Exchange Traded Funds): fundos de índice de ações das bolsas americanas.
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