O spread bancário é a diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o que cobra ao emprestar

Imagine fazer um empréstimo no banco e sentir que os juros pesam mais do que deveriam. E não é só sensação: esse custo extra tem explicação. O valor está relacionado ao spread bancário, presente em diversas operações financeiras e responsável por influenciar, de forma direta ou indireta, a vida econômica de pessoas e empresas.

Essa taxa influencia diretamente o valor final de empréstimos, financiamentos e até do crédito rotativo no cartão. Muitas vezes, o cliente não percebe de onde vem o encarecimento da operação, mas nota o impacto no bolso ao longo do tempo.

Ao assimilar essas questões, você compreenderá como funciona o custo do crédito no Brasil e os efeitos dessa taxa nas decisões financeiras do dia a dia para quem faz empréstimos, financiamentos e investimentos no longo prazo.

O que é spread bancário e como ele funciona na prática?

É a diferença entre a taxa de juros que o banco paga quando capta recursos e a taxa que cobra ao emprestar esse dinheiro. Essa diferença revela quanto a instituição financeira ganha na intermediação e explica por que o crédito no Brasil costuma ser tão caro.

Para entender melhor, pense em uma situação simples. Você aplica em um CDB que rende 5% ao ano. O banco utiliza esse recurso para conceder crédito a outra pessoa e cobra 25% ao ano nesse empréstimo. Nesse caso, o spread bancário é de 20%, já que o banco paga 5% e cobra 25%.

Esse cálculo mostra o lucro bruto da operação, mas não para por aí. Dentro do spread estão embutidos diversos fatores, como impostos, custos operacionais, risco de inadimplência e margem de lucro. Por isso, a taxa tende a variar de acordo com o tipo de operação e o perfil de cada cliente.

No dia a dia, significa que se você investe em produtos de renda fixa ou deposita na poupança, o banco utiliza esses valores para emprestar a outros clientes. Essa taxa é justamente a diferença entre o que o investidor recebe e o que o tomador de crédito paga.

Por que o spread bancário impacta nos empréstimos e financiamentos?

O spread bancário impacta porque define o custo do crédito. Quanto maior for a diferença entre o que o banco paga para captar recursos e o que cobra ao emprestar, mais caros ficam os empréstimos e financiamentos. Quando essa diferença diminui, o crédito fica mais barato e acessível.

Esse movimento afeta diretamente quem precisa de crédito. Quando o spread sobe, os juros cobrados em empréstimos e financiamentos aumentam, o que encarece as parcelas, restringe o acesso ao crédito e compromete o planejamento financeiro de famílias e empresas.

Já quando o spread cai, os juros diminuem, o crédito se torna mais acessível e a economia ganha fôlego com maior consumo e investimento.

Na prática, entender esse mecanismo permite comparar propostas de forma mais consciente. Você pode observar a taxa de juros total informada pelo banco, verificar o Custo Efetivo Total (CET) e analisar se há diferenças relevantes entre instituições.

Assim, fica mais fácil perceber quando os juros estão acima do mercado e escolher alternativas que se encaixem no seu orçamento.

Spread bancário no Brasil: por que é tão alto?

O spread bancário no Brasil está entre os mais altos do mundo, em grande parte porque os bancos assumem um risco elevado de crédito. A possibilidade de inadimplência é significativa e, para compensar esse cenário, as instituições aumentam as taxas cobradas em empréstimos e financiamentos.

Além desse risco, outros fatores também elevam o spread. A carga de impostos sobre operações financeiras pesa no cálculo, assim como os custos administrativos para manter estruturas, tecnologia e equipes. A margem de lucro exigida pelos bancos para sustentar suas atividades também entra nessa conta.

Essa combinação de variáveis reflete nos números oficiais. De acordo com dados recentes do Banco Central, a média do spread no Brasil alcançou 20,3 pontos percentuais em julho de 2025.

Comparações internacionais feitas pelo Banco Mundial mostram que o país só fica atrás de economias instáveis, como Zimbábue e Madagascar, o que reforça como o crédito brasileiro continua entre os mais caros do planeta.

Como o spread influencia o rendimento de investimentos e a economia?

O nível do spread altera diretamente o retorno de quem investe. Quando a diferença fica muito alta, o banco concentra grande parte do ganho da operação e o investidor recebe um rendimento menor. Já em cenários de spread mais baixo, a rentabilidade tende a melhorar, pois a margem absorvida diminui.

Na economia, os efeitos do spread bancário ficam claros em diferentes situações do dia a dia. Imagine uma família que deseja financiar um carro. Se o spread está alto, os juros sobem, a parcela aumenta e o orçamento aperta.

Muitas vezes, a compra deixa de acontecer. Agora, pense em uma pequena empresa que busca crédito para expandir o negócio. Com um spread elevado, o custo do financiamento desestimula o investimento e a geração de empregos.

Quando ocorre o contrário, os efeitos são positivos. Spreads menores reduzem os juros, facilitam a compra do carro pela família e tornam viável o empréstimo da empresa. O resultado aparece no aumento do consumo, na abertura de novas oportunidades e no fortalecimento do crescimento econômico.

Qual a diferença entre taxa de captação e taxa de empréstimo?

A taxa de captação representa o quanto o banco paga para atrair recursos de investidores e clientes. Já a taxa de empréstimo corresponde ao quanto a instituição cobra quando concede crédito. A diferença entre essas duas taxas forma justamente o spread bancário.

Dessa forma, a taxa de captação está ligada ao retorno que o banco oferece em aplicações financeiras, como poupança ou CDBs. Esse valor é o custo que a instituição assume para ter recursos disponíveis. Quanto maior for a taxa de captação, mais caro se torna captar dinheiro no mercado.

A taxa de empréstimo, por outro lado, mostra o preço do crédito para famílias e empresas. Além de remunerar o banco, cobre riscos de inadimplência, custos de operação e impostos.

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Qual a diferença entre spread bancário e spread cambial?

O spread bancário é a diferença entre a taxa que o banco paga para captar dinheiro (como nos depósitos e investimentos dos clientes) e a taxa que ele cobra ao emprestar esse mesmo dinheiro. Essa diferença funciona como a “margem” do banco, usada para cobrir custos operacionais, riscos de inadimplência e gerar lucro. 

Quanto maior o spread, mais caro fica o crédito para o consumidor e, muitas vezes, isso reflete fatores como risco do país, ineficiências do sistema financeiro ou baixa concorrência entre bancos.

Já o spread cambial é a diferença entre o valor de compra e o valor de venda de uma moeda estrangeira, como o dólar. Ele representa o custo adicional cobrado pelas instituições financeiras para realizar operações de câmbio. 

O spread cambial inclui despesas operacionais, imposto e margem de lucro. Para o cliente, isso significa que comprar moeda estrangeira sai mais caro do que vender, e essa diferença varia conforme a demanda, volatilidade do mercado e políticas de cada instituição.

Como o spread afeta quem toma crédito e quem investe?

O spread bancário afeta tanto quem toma crédito quanto quem investe. Para o tomador, determina o custo final de empréstimos e financiamentos. Para o investidor, indica a diferença entre o que o banco paga e o que cobra, o que reduz o rendimento efetivo que chega ao aplicador.

Por isso, conhecer esse mecanismo ajuda a tomar decisões financeiras mais conscientes. Ao avaliar propostas de crédito ou escolher investimentos, você entende melhor o impacto das taxas e consegue buscar alternativas que tragam equilíbrio entre custo e retorno.

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JR MartianOrganic Growth Investimentos

Criador do Mão de Vaca, um portal de educação financeira para quem quer cuidar melhor do dinheiro no dia a dia.

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